Prova de Residência

Eficácia e efetividade: não acredite em conto de fadas

Diferenciar eficácia e efetividade é fundamental. Não acredite em conto de fadas na preparação para as provas de residência.

05/11/2018 Eduardo Côrtes

Eficácia e efetividade são dois conceitos semelhantes e que servem para medir o funcionamento de intervenções, especialmente terapêuticas, na epidemiologia.


Será que determinado método anticoncepcional realmente impede a gestação? Será que aquele anti-hipertensivo reduz a pressão arterial?


Essas e outras perguntas podem ser respondidas através desses conceitos.


Porém, embora pareçam idênticos, eficácia e eficiência possuem significados diferentes. Conhecer essa diferença não só é fundamental para acertar questões na sua prova de medicina preventiva, como também pode te ajudar na avaliação de diversas situações complexas da vida.


Compreender tais conceitos é essencial para você se preparar corretamente para as provas de residência.


Duvida? Então leia os próximos parágrafos e veja como esse entendimento pode mudar o jogo!


Eficácia X Efetividade


Antes de mais nada, você precisa entender perfeitamente a diferença entre esses dois conceitos que, à primeira vista, parecem idênticos.


A eficácia mede o funcionamento de determinada intervenção em um contexto ideal. Usando como exemplo os anticoncepcionais orais (ACO), significa verificar a taxa de falha do método em um ambiente controlado.


Ou seja, não há esquecimento de tomar a pílula, não há interações com outros medicamentos, não há nada de anormal.


Sabe qual o problema disso? O mundo ideal não existe na vida real


Por outro lado, a efetividade avalia o funcionamento de intervenções em um contexto habitual, fora de qualquer ambiente controlado e artificial. No caso dos anticoncepcionais, incluiria os esquecimentos, as pílulas tomadas em horários bagunçados, outros medicamentos, etc.


Como você pode perceber, a efetividade é muito mais precisa do que a eficácia na avaliação de intervenções na prática.


Mas será que essa diferença realmente é tão importante?


Para responder essa pergunta, vamos nos aprofundar em alguns dados sobre os próprios ACO’s, especificamente no índice de Pearl. Este índice avalia o número de gestações que ocorrem no período de 1 ano a cada 100 mulheres que utilizam um método anticoncepcional, determinando, portanto, se o método é confiável ou não.


No mundo ideal da eficácia, o índice de Pearl do anticoncepcional oral combinado é de 0,3. Para evitar o número decimal, podemos dizer que o método falha em 3 a cada 1.000 mulheres em ano de uso.


Porém, o índice de Pearl também avalia a efetividade e o número é completamente diferente. Em condições normais, nada menos que 80 mulheres ficam grávidas após 1 ano usando os anticoncepcionais orais.


Ou seja, a efetividade do método é 26 vezes menor do que a eficácia. Existe um abismo entre o ambiente controlado e a realidade, o que pode se aplicar a praticamente qualquer coisa.


Outro exemplo que é facilmente compreendido é o do emagrecimento. Afinal, nós podemos não ter os dados exatos, mas podemos imaginar que a maioria dos pacientes com sobrepeso que seguir uma dieta correta feita por um especialista consegue emagrecer. Sendo assim, a terapia dietética para a perda de peso teria uma eficácia, no mínimo, mediana.


No entanto, nós sabemos que a porcentagem real de pessoas que, de fato, tem sucesso com medidas comportamentais para o emagrecimento é extremamente baixa. Portanto, é mais um exemplo de diferença enorme entre a eficácia e a efetividade.


Um método com grande eficácia pode não funcionar e é exatamente isso que você precisa entender na preparação para a sua prova de residência.


Efetividade e provas de residência


Agora que você já entendeu a importância de diferenciar os dois conceitos, vou mostrar como isso pode contribuir demais no seu planejamento de estudos para as provas de residência.


Quando vamos nos preparar para qualquer concurso, é intuitivo imaginarmos que devemos estudar e revisar o máximo possível todos os conteúdos do edital. E a verdade é que realmente este é o método mais eficaz.


Porém, falando especificamente das provas residência, existe um problema enorme…


Os conteúdos dos editais englobam simplesmente todos os assuntos da medicina. Todas as especialidades de clínica médica, todas as especialidade cirúrgicas, epidemiologia, etc.


No mundo real, é absolutamente impossível estudar e revisar todos esses temas da mesma maneira em 1 ou 2 anos, buscando memorizar tudo.

 

O método, que parece intuitivo, pode até ser eficaz, mas não é efetivo.


Infelizmente, a preparação tradicional para as provas de residência ainda se baseia nesse mundo ideal, em que os médicos e estudantes de medicina possuem tempo de sobra. Neste conto de fadas, ninguém está ralando no internato ou no trabalho, ninguém está inseguro com o fim da faculdade ou início na profissão e ninguém possui qualquer compromisso ou atividade fora da medicina.


Porém, a verdade é que, fora do conto de fadas, somente raríssimos heróis conseguem ler centenas de páginas de apostilas, assistir a aulas com horas de duração e - pasmem - ainda conseguem revisar.


Essa é a principal razão pela qual um número enorme de postulantes às vagas de residência chegam ao limite do estresse no decorrer do ano e desistem da preparação no meio do caminho. Alguns adiam a tentativa para o ano seguinte, mas outros acabam trocando a especialidade dos sonhos por qualquer outra mais fácil de passar.


Para evitar esse enredo previsível, é fundamental que você siga um método de preparação compatível com a vida real, que seja realmente efetivo. Isso significa direcionar sua atenção para matérias mais relevantes, usar técnicas de estudo mais produtivas, utilizar materiais que se encaixem na sua preparação e diversos outros fatores que podemos abordar em outra oportunidade.


Eficácia é bem diferente de efetividade. Lembre-se disso e use a seu favor, nas provas de residência e na vida. Não acredite em conto de fadas.

 

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