Prova de Residência

O mínimo que você tem que saber 1 ano antes da sua prova de residência

Tudo aquilo que não dá para ignorar antes da prova de residência.

29/10/2018 Eduardo Côrtes

As provas de residência causam ansiedade e preocupação em qualquer estudante de medicina. Afinal, desde o 1º período, nós ouvimos nossos veteranos falando sobre o concurso e como a concorrência é acirrada - “muito pior que o vestibular”.


Quando eu entrei na faculdade, boa parte desse discurso era exagerado. Lá em 2010, a relação entre número de formandos e vagas de residência era relativamente equilibrada, o que tornava a missão muito mais acessível. Claro que algumas especialidades e instituições já eram muito concorridas, mas nada que se compare ao que temos quase uma década depois.


Infelizmente, eu sou obrigado a informar que o número de médicos formados a cada ano cresce quase que exponencialmente, enquanto as vagas de residência estão praticamente estáveis. Além disso, a pressão no mercado de trabalho empurra cada vez mais profissionais para a especialização, aumentando a procura pelos concursos.


Ou seja, se antes o discurso dos nossos veteranos era exagero, hoje soa quase como um eufemismo.


Apesar deste cenário, ainda é extremamente comum a desinformação sobre aspectos básicos das provas de residência médica. Ao contrário do vestibular, que é uma prova muito conhecida por qualquer aluno no ensino médio, os concursos de residência são um grande mistério, mesmo para quem já está quase no final da faculdade.


Neste artigo, você vai descobrir as principais características básicas, que qualquer um deveria saber 1 ano antes das provas de residência. Vamos resumir cada uma das fases dos processo seletivos e mostrar qual delas é realmente decisiva.

 

Como são as provas


As provas de residência são feitas por cada instituição e não há um exame nacional dos moldes do ENEM. A maioria delas consiste em 80 a 100 questões objetivas, com 4 a 5 opções de respostas. Ainda existem provas com questões discursivas, mas isso vem se tornando cada vez mais raro.


Os assuntos cobrados englobam a medicina inteira e são divididos em 5 grandes áreas: clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia e medicina preventiva.


Em muitos estados, existem concursos unificados para os hospitais municipais, estaduais e/ou federais. A prova com o maior número de inscritos do Brasil é o SUS-SP, com mais de 600 vagas espalhadas em dezenas de hospitais no estado de São Paulo. Outros exemplos de concursos unificados são a SES-RJ, PSU-MG, SURCE (Ceará), SES-DF, AMRIGS (Rio Grande do Sul), entre outros.


Alguns desses concursos são totalmente unificados, como é o caso do SUS-SP e SES-RJ. Isso significa que, ao pagar a taxa de inscrição, você concorre a todas as vagas automaticamente. Já em outros, como PSU-MG e AMRIGS, você precisa escolher as instituições no ato da inscrição e efetuar o pagamento individual.


Já os hospitais universitários costumam ter provas específicas e são referência em pesquisa e academicismo. Frequentemente são extremamente concorridos e muitos possuem outras etapas, como provas práticas e entrevistas, assuntos que falaremos mais à frente.


Além disso, existe uma tendência de abertura de programas de residência em serviços particulares, especialmente em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse caso, é fundamental procurar locais de excelência assistencial e ensino, como o Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio-Libanês. Uma vantagem importante dos hospitais particulares é a estrutura mais completa e menor vulnerabilidade a crises políticas e econômicas.


Provas práticas


As provas práticas e entrevistas colocam medo em praticamente todos que vão ter que encará-las no final do ano. Os concursos de hospitais universitários de São Paulo, como a USP (São Paulo e Ribeirão Preto), Unicamp e Unifesp, possuem segunda fase, com prova prática, entrevista e análise de currículo.


Apesar de menos frequente, outras provas nos demais estados também estão aderindo a esse modelo. Sugiro que você pesquise os editais das suas instituições favoritas para checar se também é o caso.


De qualquer jeito, esse ansiedade é muito mais psicológica do que real. Sabe por quê?


Na grande maioria das vezes, a classificação final é determinada pela seguinte conta: 50% da nota equivale à prova teórica, 40% é a nota na prática e 10% representa a entrevista e análise de currículo.


No entanto, a prova escrita é eliminatória, o que significa que só chega na 2ª fase quem é aprovado na teórica. O número de aprovados varia bastante, mas a concorrência na segunda fase é sempre MUITO menor do que na primeira.


Em diversos concursos, por conta da reclassificação, todas as pessoas aprovadas na prova escrita acabam conseguindo uma vaga na residência médica.


Ou seja, a prova escrita é eliminatória, possui o maior peso na nota final e elimina a grande maioria dos concorrentes. Portanto, apesar de parecer a parte mais tranquila e confortável do processo seletivo, a 1ª fase é quase sempre decisiva.


Outro aspecto importante é que a prova prática - apesar do nome - nada mais é do que uma prova teórico-prática. Isso significa que a maior parte da nota não é determinada por ações e procedimentos, mas sim por indicar exames, diagnósticos ou tratamentos corretos. Por isso, uma preparação teórica bem feita também abrange diversos conhecimentos necessários para a segunda fase.


Entrevista e análise de currículo


Por fim, precisamos falar sobre a entrevista e análise de currículo, que é mais uma preocupação muito comum de quem vai fazer prova de residência. A pergunta recorrente é a seguinte:


Meu currículo não tem praticamente nada. Eu tenho chance de passar? Devo correr atrás de melhorá-lo de última hora?


Antes de mais nada, quem consegue notas muito boas nas provas, especialmente na teórica, é aprovado em qualquer concurso, mesmo com currículo abaixo da média. O máximo que seu concorrente pode tirar é 10 e um currículo ruim dificilmente vale menos que 7 (normalmente até mais). Como essa pontuação possui peso de 10%, dificilmente é algo decisivo.


Obviamente, o ideal é conseguir uma nota alta, mas não é isso que vai te impedir de passar.


Além disso, parte da nota de análise de currículo baseia-se em aspectos que você não consegue controlar, como a avaliação da sua faculdade, se o seu internato é feito em 2 anos ou não, etc.


Mas voltando à pergunta recorrente, existem aspectos que teoricamente poderiam melhorar seu currículo, como monitorias, participação em eventos científicos, certificações, artigos publicados, entre outros.


Pessoalmente, eu não faria qualquer atividade dessas com o único objetivo de melhorar a nota do currículo para as provas de residência. O tempo empregado nelas seria muito mais útil melhorando sua preparação para as provas.


Portanto, a sugestão é fazer somente aquilo que você já faria independentemente dos concursos de residência. Muitas dessas atividades são experiências enriquecedoras para médicos em formação, mas realizá-las pensando em pontinhos de currículo é um grande erro.

 

Conclusão


Neste artigo, fizemos um resumo de como funciona os processos seletivos de residência médica e de tudo que você vai encarar no ano que vem.


Como alertamos, a prova teórica é, sem dúvida alguma, a mais decisiva, apesar de parecer mais confortável e conhecida do que as outras.


Portanto, recomendamos que você planeje muito bem sua preparação, lembrando que é um enorme desafio estudar a medicina inteira em 1 ano. Para ajudar nessa missão, deixamos aqui o link do nosso e-book gratuito, um material completo sobre a preparação.

Bons estudos!